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A atual crise que pegou muita gente desprevenida, embora otimistas acreditem que seja passageira, mostra que o seu “efeito dominó” já atinge vários setores e não mostra sinais de que, a curto prazo, possa estabilizar.
Todos aqueles envolvidos nos setores agrícola, automobilístico e naturalmente no imobiliário, de construção civil e financeiro, já estão sentindo na pele. É a falência do neoliberalismo? Do capitalismo moderno? Não importa. O fato é que muita gente sente as conseqüências, em maior ou menor grau, no seu cotidiano.
Aqui no Brasil, estamos percebendo que muitos daqueles que foram para o exterior trabalhar, estão voltando. Notícias vindas do Japão, quase que diariamente, mostram a situação difícil pelos quais os brasileiros estão passando, muitos não podem sequer custear as próprias passagens para retornar. Se partir é complicado, retornar, embora pareça ser um processo simples, na realidade, é um processo mais complicado ainda. O que teoricamente seria a “sua casa”, vão perceber que já não é tão familiar assim, tudo mudou: o país, as pessoas, enfim, preparar-se firmemente para que o retorno seja o menos traumático possível é imprescindível. Portanto, devemos nos munir de muita paciência e muita disposição para essa nova empreitada.
Muitas vezes, não se tem tempo suficiente para todo o preparo, além das providências concretas a serem tomadas, cuidar do seu próprio preparo emocional e o da família. No caso das crianças, é importante que, conversem, expliquem, convençam de que é necessário voltar. O desejo de voltar (ou vir, para aquelas crianças que não conhecem o Brasil) é um fator crucial para uma (re)adaptação melhor ao Brasil. Na readaptação escolar, atentar para que elas comecem o ano letivo a tempo, chegar “fora de hora” complica ainda mais o que já é complicado.
Muitos retornam sem a mínima idéia do que vão fazer e possuem uma pequena reserva econômica, assim, procurem inteirar-se das condições atuais do Brasil, possibilidades de trabalho e/ou emprego e onde buscar apoio. Outros têm voltado com documentos insuficientes para dar continuidade aos estudos dos filhos, o que está complicando a continuidade ou reclassificação das crianças nas escolas públicas. É necessário providenciar todos os documentos de transferência (muitos, na correria, “esquecem” de solicitar ou traduzir os documentos). Muitos vêm morar provisoriamente na casa de parentes para logo em seguida, mudar de cidade, de bairro e consequentemente de escola na qual a criança começou a se adaptar; seria interessante buscar um local para residência não “temporário”, evitando assim, transferências escolares desnecessárias.
Nós do ISEC estamos com um projeto de apoio às crianças retornadas, o Projeto Kaeru, juntamente com a Secretaria Estadual da Educação, patrocinado pela Fundação Mitsui Brasileira. Para maiores informações, mandem e-mails (kyoko@uol.com.br ou projetokaeru@isec.org.br) ou procurem o ISEC no prédio do Bunkyo à R.São Joaquim, 381 para maiores informações.
A todos aqueles que estão fazendo as malas para retornar, um BOM RETORNO!!!!