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Bruna, uma garota de olhos ternos, sorriso tímido, 12 anos de idade, moradora de uma cidadezinha no interior do Estado de São Paulo, filha “temporão” de um casal que tem mais dois filhos: uma de 21 e outro de 25 anos. Voltou do Japão depois de passar o início de sua vida escolar no Japão, praticamente uma nova imigrante, sem lembrar de nada do Brasil, recomeçaria a sua vida aqui junto à mãe e irmã, já que seus pais, por uma série de circunstâncias, acabaram se separando. Seu irmão mais velho resolveu ficar no Japão e tentar, por si, dar um rumo à sua vida.
Sentiu na pele, várias dificuldades a começar pelo idioma. Embora falassem português em casa, enquanto viviam no Japão, percebeu que este não era nada suficiente para acompanhar as aulas numa escola pública da cidade. O recomeço difícil de sua mãe, a readaptação complicada de sua irmã, tornavam o ambiente doméstico tenso, aborrecido. Procurou assim mesmo, com bastante esforço, acompanhar a sua turma na escola. Morando um pouco afastada da cidade, caminhava alguns bons minutos diariamente para freqüentar a escola.
Porém, surgiram complicações que obrigavam a sua mãe a voltar para o Japão, não apenas para tentar juntar mais uma soma em dinheiro como também para resolver algumas questões pendentes. Ela ficaria morando durante alguns meses com a sua irmã, enquanto esperariam o retorno de sua mãe.
Algum tempo se passou e a sua irmã, envolvida em situações complicadas, também saiu de casa deixando-a sozinha. Ficou praticamente seis meses vivendo sozinha, esperando o retorno de sua mãe, deixou de freqüentar a escola nesse período, procurando sobreviver com os mantimentos que sua irmã, vez ou outra, trazia para suprir as mínimas necessidades.
Hoje, com o retorno de sua mãe e voltando para a escola, tenta recuperar o tempo perdido, se esforça para levar uma vida “normal”, seus pais nunca deixaram de mandar o recurso financeiro, que embora modesta, não a deixava completamente abandonada.
Costumo dizer que se existem necessidades básicas para sobrevivência, existem também o que podemos chamar de “carecimentos” ou “carências” que precisam ser observadas com muita atenção para evitarmos criar gerações de adultos que carregam marcas indelíveis do sofrimento causado não apenas pela separação, mas também pelas circunstâncias em que ela ocorreu. As crianças “param” no tempo esperando, e nem sempre essa “perda” pode ser amenizada ou recuperada.
Para todos aqueles que deixam ou deixaram seus filhos no Brasil, mesmo adolescentes (embora possa ficar a impressão de que, o adolescente, pelo discurso “onipotente” e “maníaco” que costumam ter, podem ou se “viram” bem), embora eu compreenda que a vida apresenta uma série de dificuldades, faço um apelo para que atentem para as necessidades deles, todos eles precisam de muito mais do que alimento e teto para crescerem e desenvolverem.