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Lembram-se da história do Brasil, quando D.Pedro I saiu-se com “Se é para o bem todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”? Pois é, se remontarmos na história episódios semelhantes, podemos perceber que a decisão de fixar raízes em algum lugar é fator fundamental para que possa existir crescimento, desenvolvimento ou, pelo menos, deixar a condição do “temporário”. Podemos perceber também que essa decisão não surgiu do nada, mas por pressões do momento histórico que envolve questões políticas, econômicas e sociais. De qualquer forma, é necessário que se tome uma decisão, mesmo que se mude de idéia, anos depois.
A condição de “temporário” da maioria dos brasileiros no Japão, parece não mobilizar o aprendizado do idioma local, prevalece a idéia de que “a gente vai se virando, não vai ficar por aqui eternamente, mesmo...” . Isso faz com que as próprias crianças, principalmente as que freqüentam escolas brasileiras, não achem tão importante conhecer a cultura e o idioma japonês, vêem com estranheza e até com um certo “desprezo”, como se não tivesse nenhuma relação com o seu dia-a-dia, como se isso não trouxesse grandes benefícios. Faz também com que não se constituam organizações para defender os interesses comuns, (muitos problemas poderiam ser sanados ou até mesmo resolvidos se houvesse mobilização e participação de grupo). Também não demonstram como prioridade a real inserção na sociedade japonesa. Vai coexistindo, sem pertencer, de fato. Vai-se ficando sem assumir ficar. Assim, o temporário de até mais de 10 anos (isso é temporário? É quase uma geração!!!) traz grandes riscos de se tornar definitivo, sem possibilidade de volta.
Não se estabelece também, relações afetivas duradouras (que exige um grande investimento, diga se de passagem), a separação seria dolorosa. É como se começasse a namorar sabendo que vai se separar. O tipo de investimento é diferente. Assim, a maioria relatava-me não ter amigos japoneses. Não estou desconsiderando outras vertentes no estabelecimento da relação (as diferenças culturais: a dificuldade de comunicação, as diferenças na forma de agir e pensar).
Poderíamos pensar estabelecendo um paralelo: o que teria melhores chances, começar um namoro pensando em separação breve ou começar pensando que gostaria de ficar com a pessoa “para sempre”? Outro dia, ouvi uma fala, de uma pessoa por quem tenho muito respeito, sobre a relação dos brasileiros com os japoneses. Segundo ele, os brasileiros pensam que estão “ficando” (aqui, no sentido de “sem compromisso”) com os japoneses, enquanto que os japoneses pensam que os brasileiros estão “namorando”. E nós, ouvintes, concluímos que estão de fato, levando uma vida de “casados”, talvez sem perceberem....
Que tal, então, assumir a relação? Estabelecer um “fico”? (ou fazer as malas e partir imediatamente?). E que seja eterno enquanto dure!!!