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A realização de trabalhos sociais voltados para dekasseguis me possibilitou ter acesso a experiências interessantes, e permitiu refletir sobre diversas questões.
Uma delas, que me chamou a atenção foi o relato de uma coordenadora pedagógica do ensino fundamental, que comentou sobre suas queixas em relação ao desempenho escolar de duas irmãs, 08 e 10 anos. As duas alunas apresentavam baixo rendimento escolar decorrente, principalmente, do excesso de faltas. A mãe justificava afirmando que suas filhas freqüentemente acordavam com dores de cabeça, tontura e mal estar.
Assim como diversas outras famílias, tratava-se de uma mãe que cuidava sozinha de suas filhas, pois seu marido estava há alguns anos no Japão, em busca de melhores condições financeiras. Felizmente, nos dias em que as crianças acordavam indispostas, a mãe podia contar com a ajuda da avó, que oferecia os cuidados necessários, enquanto ela trabalhava.
O que seriam estas dores de cabeça constantes? Pode-se pensar em componentes biológicos e ambientais, mas devemos nos atentar também aos fatores psicológicos e sociais, que combinados, podem acarretar em alterações físicas, também conhecidos como sintomas psicossomáticos.
Vamos prestar atenção para o que as crianças querem nos dizer. Se estão com dificuldades para se expressar de forma verbal, elas tentam nos falar com seu corpo. Não se pode afirmar que tais dores não existam, que são “frescuras” ou “manhas”, pois elas existem e revelam que algo está errado. Algumas crianças podem até entender que seus pais estão trabalhando duro para poder oferecer algo melhor a elas, mas seu corpo não mente. Reclama pela falta de atenção, carinho, companhia e, em alguns casos, incompreensão por sua família ser tão diferente do coleguinha da escola.
A rotina que muitos pais levam não permite passar grande parte de seu tempo com os filhos, ou, em alguns casos, o responsável não pode nem contar com a presença do seu companheiro(a), que se encontra fisicamente distante, como citado neste exemplo, e com isso, muitas vezes dobra-se o trabalho para sustentar uma casa, que poderia ser cuidada por duas pessoas. Embora o tempo não seja exatamente como o desejado, preste atenção na qualidade da relação que mantém com seu filho. Estes curtos momentos que passam realmente juntos (e não só fisicamente próximos) podem dar forças e sustentação para que ele consiga seguir em frente, desenvolvendo-se no âmbito cognitivo, e também no aspecto social, criando vínculos com parceiros e garantindo assim, seu desenvolvimento de forma plena.
Vale a pena refletir sobre seus hábitos e rotinas, observar e melhorar a qualidade de suas interações, seja entre pais e filhos, professores e alunos, amigos e parceiros para que o corpo não precise se flagelar para ser notado por você e pelos outros.