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Esta pergunta, como qualquer outra que envolva a mudança de países, é impossível de ser respondida com uma afirmação simples. Há que se levar em conta os vários elementos que envolvem a questão: o jovem nasceu no Brasil ou no Japão? Desde que idade ele morou no Japão? Chegou a conhecer o Brasil? Com quantos anos está agora?
Morar num determinado país tem muito a ver com a própria identidade da pessoa. Alguém que só conhece a organização da sociedade japonesa tem dificuldades para lidar com o “caos” da sociedade brasileira. Mudar da cultura japonesa, onde há muitas regras que regulam o convívio entre as pessoas e tudo é definido, para a brasileira, mais flexível, mas onde a cada momento precisamos tomar decisões e lidar com imprevistos, é uma experiência angustiante, principalmente para quem não escolheu de livre vontade mudar-se para este país.
O suporte que o jovem tem disponível à sua volta influencia fortemente a decisão de ficar no país. Se ele tem bons amigos, se a família é presente, se os professores e colegas de sala são prestativos, a sensação de que é possível viver no Brasil é maior. Porém, acontece de muitas famílias retornadas ficarem isoladas, tanto por receio da segurança no Brasil quanto por irem morar num local diferente de onde saíram. A barreira da língua também pode isolar o jovem, fazendo com que esse sentimento de solidão aumente sua vontade de voltar ao Japão, onde pelo menos as pessoas entendem o que ele fala.
Se o desejo do jovem de voltar ao Japão é fixo, deve-se lembrar que viver só num país é uma situação muito delicada. É preciso avaliar se o jovem tem maturidade suficiente para, futuramente, prover seu próprio sustento. Assim como no Brasil, contar com parentes e conhecidos é de extrema importância, especialmente em momentos de crise e emergência. Mais difícil ainda é lidar com a situação de um menor que terá que aprender a ficar no Brasil, porque a família não quer ou não pode mais ir ao Japão, questão a que podemos voltar num próximo artigo.
A decisão de ficar no Brasil ou voltar ao Japão não deve ser tomada nem apenas pelo jovem sozinho, nem pela família sem consultar o maior interessado. A maior sugestão que podemos dar neste momento é: não considerem apenas o momento presente para a decisão, pois esse desejo pode vir das dificuldades de adaptação, e o Japão aparece como uma fuga, uma saída mais fácil, de volta ao conhecido. Tentem elaborar conjuntamente um projeto de vida de médio e longo prazo para esse jovem ou criança. Planejando uma nova migração (inclusive de volta ao Brasil) as dificuldades são minimizadas e a experiência como um todo pode ser menos traumática, mesmo que futuramente os planos não se concretizem como foram concebidos.
Conversar e planejar podem fazer a diferença na vida de uma pessoa.