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Projeto Kaeru

O que é o Projeto Kaeru?

 

  O Projeto Kaeru tem como objetivo oferecer um trabalho de intervenção psicológica, social, psicopedagógica, de acompanhamento e de reforço escolar às crianças do ensino fundamental da rede estadual de educação que, em decorrência dos processos migratórios, mais precisamente, do movimento de trabalhadores brasileiros ao Japão, apresentam dificuldades na aprendizagem, pouco conhecimento da língua portuguesa, dificuldades nas relações interpessoais, de (re)adaptação à sociedade brasileira, gerando como conseqüência problemas sérios ao seu desenvolvimento, aos seus familiares, às escolas e a todos aqueles que convivem com elas.

  Esse trabalho é desenvolvido gratuitamente dentro das escolas, numa parceria com a Secretaria Estadual de Educação com o apoio da Fundação Mitsui Brasileira.

Contato: projetokaeru@isec.org.br

  O ISEC (Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural), desde a sua constituição em dezembro de 2003, vem desenvolvendo diversas atividades, no intuito de cumprir com a sua missão e seus objetivos. Dentre as ações regulares do ISEC, temos: fornecimento de informações sobre a educação das crianças, para as famílias que vão para o Japão trabalhar; arrecadação e envio de livros didáticos e para-didáticos brasileiros; orientação de professores e familiares, buscando a readaptação das crianças às escolas brasileiras, na ocasião do retorno ao Brasil; intercâmbio entre pesquisadores e autoridades de órgãos públicos no Brasil e do Japão que buscam o ISEC enquanto referência na questão da educação de crianças, dentro do contexto migratório de brasileiros para o Japão; grupo de estudo e pesquisa procurando manter a atualização de dados, estudo teórico que fomenta o intercâmbio de informações com atuantes e pesquisadores de outros movimentos migratórios no contexto mundial.

  O ISEC publicou um guia educacional ilustrado em formato “mangá”, com informações sobre: sistemas educacionais brasileiro e japonês, providências necessárias a serem tomadas quando se vai para o Japão, enquanto vivem no Japão seja tendo filhos estudando nas escolas públicas japonesas ou escolas privadas brasileiras, ou ainda excluídas de qualquer sistema educacional e as devidas providências a serem tomadas na ocasião de seu retorno ao Brasil. A primeira edição de 10 mil exemplares está esgotada; revisada está prestes a ser reeditado.

  Além das atividades regulares, realiza eventos como simpósios internacionais, mesas redondas; seminários, sempre visando propiciar um desenvolvimento saudável e integral às crianças. Além da promoção desses eventos, o ISEC participa também, com alguns de seus membros, de diversas atividades promovidas por outras entidades, brasileiras e japonesas (simpósios, eventos de divulgação, seminários, mesas redondas, entre outros) como uma forma de intercâmbio de informações.

  Com a constituição de algumas NPOs em algumas províncias japonesas, uma iniciativa da prefeitura local em parceria com a sua secretaria de educação, da empreiteira e de cidadãos brasileiros residentes na região conjuntamente, com o aval e incentivo do MEC, deparam com a necessidade de recrutar, orientar, preparar e receber professores capacitados brasileiros para trabalharem em escolas bilíngües nessas províncias. O ISEC em entendimento com o MEC, vem iniciando o auxilio na seleção e preparo desses profissionais.

  No que se refere às crianças brasileiras retornadas do Japão, podemos observar que elas encontram inúmeras dificuldades na (re)adaptação à sociedade brasileira, bem como ao sistema educacional brasileiro, tornando-as bastante vulneráveis à exclusão social e educacional. De alguns anos para cá, podemos observar também uma mudança no perfil dessa população que, embora cidadãos brasileiros, são crianças nascidas no Japão e muitas delas não conhecem o Brasil, chegando aqui não como retornados mas como novos imigrantes estrangeiros.

  Diversas dificuldades são apontadas na (re)inserção das crianças porém, podemos perceber inúmeras variáveis que se inter-relacionam mostrando que cada criança apresenta uma problemática particular, isto é, o estado em que a criança retorna ou chega ao Brasil, depende muito da qualidade de sua estada naquele país. Aqui se incluem desde fatores sócio-familiares como o período de vida em que migrou para o Japão, o período de estadia naquele país, a cidade e a infra-estrutura de recepção encontrada, que tipo de escola que freqüentou ou se deixou de freqüentar, interrupções e mudanças, relacionamentos interpessoais, estrutura e dinâmica familiar, o stress causado no lidar com as grandes diferenças culturais entre outros. Elas apresentam também alguns pontos em comum como a dificuldade com o idioma, especialmente, a linguagem mais acadêmica, formal; muitas crianças não possuem o mínimo vocabulário em português para a vida cotidiana. Apresentam um quadro que está sendo chamado de “double limited”, isto é, não adquiriram vocabulário nem domínio em nenhum dos dois idiomas; tendo dificuldades assim, no aprendizado.

  Dentre as crianças retornadas, existem as que apresentam, além das dificuldades de (re)adaptação, uma demanda adicional: o de manter os conhecimentos adquiridos no Japão (observa-se que existe uma certa facilidade de se perder o que foi aprendido, especialmente a fluência no idioma japonês), conhecimentos que poderão vir a ser um recurso adicional importante para o seu desenvolvimento. Outras sentem necessidade de ter maior contato com os pais, já que muitos cresceram num ambiente onde seus pais estavam praticamente ausentes, trabalhando. Há ainda, aquelas crianças que apresentam dificuldades por falta de estimulação na primeira infância; outros que sofrem de ansiedade de estresse pós-traumático, após experiências de discriminação e maus-tratos. Este trabalho visa responder à demanda dessas crianças, elaborando intervenções adequadas para grupos diferentes de crianças, como aulas de reforço com professores da rede estadual de ensino, atendimentos psico-pedagógicos por profissionais especializados, estimulação, orientação de pais e educadores, entre outros. Experiências em trabalhos anteriores demonstram a importância de se criar uma interlocução entre o aluno, a escola e a família, criando-se assim, um “tripé” que servirá de base para propiciar um desenvolvimento integral à criança.

  Este projeto de “Inclusão de filhos dos dekasseguis às escolas públicas do Estado de São Paulo” que apelidamos “Projeto Kaeru” será conduzido pelo ISEC (Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural), em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, com o patrocínio da Fundação Mitsui Bussan do Brasil. Terá como público alvo, crianças regularmente matriculadas em escolas estaduais de ensino fundamental. Como na cidade de São Paulo, a maioria das escolas de Ensino Fundamental é municipalizado, a idéia é iniciar com um programa piloto em algumas cidades próximas à capital e criar uma metodologia possível de ser reproduzida em outras cidades do Estado de São Paulo, bem como, em outras localidades que dela necessitar.

  Teremos um universo de no máximo 60 crianças em duas escolas, onde o Projeto buscará após uma sondagem cuidadosa, responder à demanda que se apresentar, mobilizando para isso, profissionais multidisciplinares, num atendimento com duração de um ano letivo.

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